CARTA DE APOIO À CRIAÇÃO DE CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM GEOGRAFIA NO INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CAMPUS IBATIBA

O Estado do Espírito Santo tem vivido importantes mudanças nas últimas décadas. A consolidação do modelo de desenvolvimento estruturado em grandes projetos industriais e no comércio exterior provocou significativos impactos sobre o território e a população capixaba. Em poucas décadas, a população se urbanizou e se concentrou, principalmente, na Região Metropolitana da Grande Vitória. Esse processo veio acompanhado de graves problemas socioeconômicos e ambientais, que se expressam tanto no espaço rural como nas cidades capixabas.

Apesar do crescimento econômico verificado nos últimos anos no estado ter sido superior à média nacional, boa parte da população do Espírito Santo não tem se beneficiado desse processo. No interior do Estado, o quadro é ainda mais complexo, na medida em que o litoral tem atraído mais investimentos. Outro agravante é que a pecuária e monocultura de eucalipto tendem a se expandir em diversos municípios, atividades que, historicamente, não geram muitos empregos.

Nessa conjuntura, o papel da educação é fundamental. É a partir da educação que os cidadãos obterão condições para se inserir no mercado de trabalho e desenvolver ações críticas e propositivas em instituições e entidades. O principal desafio da educação brasileira (e capixaba) atualmente é a qualidade do ensino. E, nessa direção, é preciso haver um esforço por parte do poder público e da sociedade civil organizada.

O desafio evidentemente é enorme e sua solução não passa por apenas um aspecto do
problema. Ressaltamos aqui a importância da formação do professor de educação básica. Matéria publicada no Jornal A Gazeta há alguns anos revelou que 40% dos professores capixabas não são formados na área em que lecionam. No interior do estado esse percentual deve ser ainda maior. Os dados revelam que a demanda crescente por profissionais de educação não é suprida pelas faculdades presentes no estado, sejam elas privadas ou públicas, como a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES).

A matéria acima revelou ainda que pouco mais de 20% dos professores de geografia não são formados na área. Nos últimos anos duas faculdades particulares fecharam os cursos de licenciatura em geografia, uma de Linhares e outra de Cachoeiro de Itapemirim. Além disso, há a propagação de licenciaturas EAD que estão aquém de uma sólida formação necessária ao corpo docente que estará em sala de aula do ensino básico após a formação na graduação.

Atualmente, apenas a UFES, no campus de Vitória, a faculdade Fundação Castelo Branco (FUNCAB), em Colatina, e o IFES de Nova Venécia ofertam cursos de licenciatura presencial em geografia no Espírito Santo. Excetuando a UFES, os demais cursos encontram-se no Norte do estado, deixando a região Sul sem acesso a esta formação científica fundamental ao ensino básico.

E, conforme se observa, tais instituições não atendem à demanda quantitativa de formação de novos professores. No entanto, a principal questão é a qualidade do profissional formado e, nesse sentido, tanto a UFES como o IFES possuem grande responsabilidade.
As avaliações externas mostram que essas instituições oferecem os melhores cursos superiores do país, incluindo as licenciaturas. Assim, a elevação da qualidade do ensino de geografia no Espírito Santo, como de outras disciplinas, passa pela expansão de vagas na UFES e criação de cursos de licenciatura no IFES.

Levando em consideração a importância da educação de qualidade para a sociedade capixaba, a AGB, seção Vitória-ES, apoia a iniciativa de se criar cursos de licenciatura em Geografia no IFES. Essa iniciativa representará uma expressiva contribuição para a formação de professores do Espírito Santo, como também para o desenvolvimento de atividades de extensão e pesquisa na área de geografia e de áreas afins.


Vitória, 13 de agosto de 2018.

Associação dos Geógrafos Brasileiros

Seção Local Vitória

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